A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune mediada que afeta o sistema nervoso central (SNC) e muitas vezes leva a graves incapacidades físicas ou cognitivas, bem como problemas neurológicos em adultos jovens. Na EM, o sistema imunológico ataca a bainha protetora (mielina) que cobre as fibras nervosas e causa problemas de comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. Eventualmente, a doença pode causar danos permanentes ou deterioração dos nervos.

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Essa condição patológica afeta mais as mulheres do que os homens (razão sexual 2,5:1) e a prevalência varia por área geográfica, variando de 120 por 100.000 indivíduos. A etiologia da EM permanece obscura, porém pode ser considerada uma doença multifatorial e incluir uma predisposição genética combinada com influências ambientais.

A inflamação dos tecidos de substância branca e cinzenta no SNC devido à infiltração de células imunes focais e suas citocinas são a causa incipiente de danos na EM. Os sinais e sintomas da EM variam amplamente e dependem da quantidade de dano ao nervo e de quais nervos são afetados. Algumas pessoas com EM grave podem perder a capacidade de andar independentemente ou totalmente, enquanto outras podem experimentar longos períodos de remissão sem quaisquer novos sintomas.

Não há cura para a EM. No entanto, os tratamentos podem ajudar a acelerar a recuperação de ataques, modificar o curso da doença e controlar os sintomas.

Não existe um único teste de diagnóstico para EM. O diagnóstico é baseado na evidência de (1) pelo menos duas lesões diferentes (placas ou cicatrizes) na substância branca do SNC (o critério de disseminação espacial); (2) pelo menos dois episódios diferentes no curso da doença (o critério de disseminação do tempo); e (3) inflamação crônica do SNC, conforme determinado pela análise do líquor/LCR (o critério inflamatório).

 

SINTOMAS

Normalmente, os sintomas da EM são imprevisíveis e incertos. Como essa doença pode afetar qualquer região do SNC, pode gerar quase qualquer sintoma neurológico. Além disso, os sintomas variam muito entre os pacientes e dentro de um paciente ao longo do tempo. Durante o curso da EM, algumas anormalidades parecem ser mais dominantes ou ter um efeito maior na capacidade funcional.

Sintomas primários

– Sintomas mais comuns: distúrbios sensoriais (dormência, formigamento, coceira, queimação), dificuldades para caminhar (devido à fadiga, fraqueza, espasticidade, perda de equilíbrio e tremor), problemas de visão (diplopia, turvação e dor ao movimento dos olhos), disfunção do sistema intestinal e urinário (prisão de ventre e bexiga disfunção), comprometimento cognitivo e emocional (incapacidade de aprender e depressão), tonturas e vertigens e problemas sexuais.

* A fadiga, definida como um cansaço físico e mental extremo inadequado à demanda anterior, é um sintoma frequente, muitas vezes muito debilitante na EM, que geralmente é difícil de tratar. Aproximadamente 75-90% de todos os pacientes com EM experimentam fadiga durante a progressão da doença.

– Sintomas menos comuns: problemas de deglutição (disfagia), problemas de fala (disartria), problemas de respiração, perda de audição, convulsões e dor de cabeça.

Sintomas secundários

Infecções do trato urinário, inatividade e imobilidade.

Sintomas terciários

Complicações sociais, complicações vocacionais, complicações psicológicas e depressão

 

CURSO DA DOENÇA

A maioria das pessoas com EM tem um curso de doença remitente-recorrente. Eles experimentam períodos de novos sintomas ou recidivas que se desenvolvem ao longo de dias ou semanas e geralmente melhoram parcial ou completamente. Essas recaídas são seguidas por períodos calmos de remissão da doença que podem durar meses ou até anos.

Pequenos aumentos na temperatura corporal podem piorar temporariamente os sinais e sintomas da EM, mas não são considerados recidivas verdadeiras da doença.

Pelo menos 50% das pessoas com EM recorrente-remitente, eventualmente, desenvolver uma constante progressão de sintomas, com ou sem períodos de remissão, dentro de 10 a 20 anos a partir do início da doença. Isso é conhecido como EM secundária progressiva.

A piora dos sintomas geralmente inclui problemas de mobilidade e marcha. A taxa de progressão da doença varia muito entre as pessoas com EM progressiva secundária.

Algumas pessoas com EM apresentam um início gradual e progressão constante dos sinais e sintomas sem quaisquer recidivas, conhecido como EM progressiva primária.

Resumindo:

  1. EM recorrente-remitente:a forma mais comum, afetando cerca de 85% dos pacientes com EM. É marcada por surtos (recidivas ou exacerbações) dos sintomas seguidos por períodos de remissão, quando os sintomas melhoram ou desaparecem.
  2. EM progressiva secundária:pode se desenvolver em alguns pacientes com doença remitente recorrente. Para muitos pacientes, o tratamento com agentes modificadores da doença ajuda a retardar essa progressão. O curso da doença continua a piorar com ou sem períodos de remissão ou nivelamento da gravidade dos sintomas (platôs).
  3. EM progressiva primária:afeta aproximadamente 10% dos pacientes com EM. Os sintomas continuam piorando gradualmente desde o início. Não há recaídas ou remissões, mas pode haver patamares ocasionais. Essa forma de EM é mais resistente aos medicamentos normalmente usados ​​para tratar a doença.
  4. EM recorrente progressiva:uma forma rara, afetando menos de 5% dos pacientes. É progressivo desde o início, com surtos intermitentes de agravamento dos sintomas ao longo do caminho. Não há períodos de remissão.

 

CAUSAS

A causa da EM é desconhecida. É considerada uma doença autoimune na qual o sistema imunológico do corpo ataca seus próprios tecidos. No caso da EM, esse mau funcionamento do sistema imunológico destrói a substância gordurosa que reveste e protege as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal (mielina).

A mielina pode ser comparada ao revestimento isolante dos fios elétricos. Quando a mielina protetora é danificada e a fibra nervosa fica exposta, as mensagens que viajam ao longo dessa fibra nervosa podem ser retardadas ou bloqueadas.

Não está claro por que a EM se desenvolve em algumas pessoas e não em outras. Uma combinação de fatores genéticos e ambientais parece ser responsável. Fatores ambientais, incluindo exposição a agentes virais e bacterianos, como vírus de Epstein Barr (EBV), vírus do herpes humano tipo 6 e pneumonia por micoplasma, além de tabagismo, deficiência de vitaminas, dieta, e a exposição à radiação UV estão associadas ao aparecimento de EM.

 

FATORES DE RISCO

Esses fatores podem aumentar o risco de desenvolver EM:

  • A EM pode ocorrer em qualquer idade, mas o início geralmente ocorre por volta dos 20 e 40 anos de idade. No entanto, pessoas mais jovens e mais velhas podem ser afetadas.
  • As mulheres são mais de duas a três vezes mais provável que os homens de ter EM remitente-recorrente.
  • História de família. Se um de seus pais ou irmãos teve EM, você corre um risco maior de desenvolver a doença.
  • Certas infecções. Uma variedade de vírus foi associada à EM, incluindo Epstein-Barr.
  • Raça. Pessoas brancas, especialmente aquelas de ascendência do norte da Europa, estão em maior risco de desenvolver Pessoas de ascendência asiática, africana ou indígena têm o risco mais baixo.
  • EM é muito mais comum em países com climas temperados, incluindo Canadá, norte dos Estados Unidos, Nova Zelândia, sudeste da Austrália e Europa.
  • Vitamina D.Ter baixos níveis de vitamina D e baixa exposição à luz solar está associado a um maior risco de
  • Certas doenças autoimunes.Tem-se um risco ligeiramente maior de desenvolver EMse tiver outras doenças autoimunes, como doenças da tireoide, anemia perniciosa, psoríase, diabetes tipo 1 ou doença inflamatória intestinal.
  • Fumantes que experimentam um evento inicial dos sintomas que podem sinalizar EM são mais propensos do que os não-fumantes de desenvolver um segundo evento que confirma EM remitente-recorrente.

 

COMPLICAÇÕES

Pessoas com EM também podem desenvolver:

  • Rigidez muscular ou espasmos;
  • Paralisia, normalmente nas pernas;
  • Problemas de bexiga, intestino ou função sexual;
  • Mudanças mentais, como esquecimento ou mudanças de humor;
  • Depressão
  • Epilepsia;

 

O comprometimento dos pacientes com EM, como espasticidade ou paresia, é principalmente uma consequência do progresso da doença (alterações morfológicas), mas pode ser agravado pela redução da atividade física. Foi demonstrado que o exercício melhora vários aspectos do perfil fisiológico dos pacientes com EM; em particular, o comprometimento relacionado à inatividade pode ser aliviado pelo exercício.

A ativação repetitiva dos programas motores fortalece os engramas corticais e causa processos neuroplásticos e adaptativos, como ativação aprimorada da unidade motora e sincronização das taxas de disparo. Em contraste, os períodos de inatividade estão associados a efeitos opostos.

 

Várias linhas de evidência sugerem que os pacientes com EM se beneficiam da atividade física regular e exercícios com relação aos parâmetros clínicos, de imagem e fisiológicos. Por esse motivo é ideal que o indivíduo com EM busque um fisioterapeuta o mais rápido possível para traçar um plano de tratamento.

 

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REFERÊNCIAS

Ghasemi N, Razavi S, Nikzad E. Multiple Sclerosis: Pathogenesis, Symptoms, Diagnoses and Cell-Based Therapy. Cell J. 2017;19(1):1-10. doi:10.22074/cellj.2016.4867

Goldenberg MM. Multiple sclerosis review. P T. 2012;37(3):175-184.

Huang WJ, Chen WW, Zhang X. Multiple sclerosis: Pathology, diagnosis and treatments. Exp Ther Med. 2017;13(6):3163-3166. doi:10.3892/etm.2017.4410

Döring A, Pfueller CF, Paul F, Dörr J. Exercise in multiple sclerosis — an integral component of disease management. EPMA J. 2011;3(1):2. Published 2011 Dec 24. doi:10.1007/s13167-011-0136-4