A terapia de contensão induzida (TCI) foi desenvolvida por Edward Taub baseado em uma pesquisa com primatas que foi iniciada no final de 1970 e abrange um conjunto de técnicas para favorecer a recuperação funcional do membro superior afetado em paciente com lesão unilateral (ex.: AVC). Esse método combina a restrição do uso do membro não afetado e o uso intensivo do membro afetado. Isso faz com que possamos “quebrar” o “não uso aprendido” promovendo reorganização cortical dependente do uso.

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Mas o que é o “não uso aprendido”? Em indivíduos que sofreram AVC por exemplo, o uso funcional da extremidade mais afetada se torna difícil e geralmente as tentativas de uso são frustrantes. Isso funciona como um feedback ruim, porque se a tentativa não dá certo por dor ou inabilidade, a consequência é o não uso, e ele é aprendido porque o feecback não favoreceu e inibiu a ação. Com isso o indivíduo começa a compensar e aprende a realizar as tarefas do dia a dia de forma diferente, porém, geralmente com maior gasto energético. E, caso tenha alguma recuperação do membro, continua sem usar porque “aprendeu a não usar aquele membro”.

E o que é a reorganização cortical dependente do uso? Ainda utilizando o AVC como exemplo, quando tem a lesão cerebral que afeta membro superior, a área de representação desse membro diminui. Com o uso do membro de forma intensiva, essa área de representação cortical tende a aumentar.

Então vamos lá…

A TCI consiste em:

– Restringir o membro menos afetado por 90% do tempo acordado.

– Treino intensivo de 6 horas por dia por 10 dias (sendo 5 dias por semana) na clínica.

– Treino de tarefas funcionais durante 15 a 20 minutos com períodos de descanso iguais.

– Aplicação do shaping que são pequenos “passos” motores dependendo da tarefa, incluindo aumento progressivo da dificuldade e oferecimento de feedback positivo.

– Transferência das habilidades aprendidas para situações de vida real (pacote de transferência).

O pacote de transferência possui maior efeito quando a quantidade de prática em domicílio é maior. Ou seja, é um método que possui “dever de casa”. Como esse é o ponto principal, o indivíduo precisa assinar um contrato para assumir que irá utilizar o membro mais afetado o máximo de tempo possível fora da clínica. Além disso o indivíduo possui um diário onde irá anotar o tempo de utilização da restrição do membro, as dificuldades, as facilidades e as novas aquisições de habilidades.

Mas possui critérios de inclusão. Para ser elegível para a TCI é preciso: mínimo de 20 graus de extensão de punho ativa, 10 graus de extensão dos dedos da mão, realizar no mínimo três movimentos em um minuto, realizar abdução e extensão do polegar em 10 graus, equilíbrio e estabilidade para deambular utilizando a contensão, ser capaz de se transferir independentemente do vaso sanitário e manter equilíbrio de pé por pelo menos 2 minutos com o sem a contensão. Movimentos passivos necessários: pelo menos 90 graus de flexão e abdução de ombro, pelo menos 45 graus de rotação lateral do ombro, mínimo 30 graus de flexão do cotovelo e 45 graus de pronação e supinação do antebraço, contratura de metacarpofalangeana em no máximo 30 graus.

Porém, vale ressaltar que esse protocolo descrito acima é o original. Existem vários protocolos modificados com comprovação científica de sua eficácia.

Ex.: 2 horas por dia / 5 vezes por semana / 2 semanas / 6 horas por dia de restrição do membro.

Ex 2.: 2 horas por dia / 5 vezes por semana / 3 semanas / 6 horas por dia de restrição do membro.

Fonte: autoria própria.

É importante informar que apenas profissionais capacitados nesse método que podem aplica-lo. E na clínica ProSense nossos profissionais possuem a formação no TCI e podem utilizá-lo em você como técnica para potencializar a sua recuperação.

 

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Referências:

Taub E. The behavior-analytic origins of constraint-induced movement therapy: an example of behavioral neurorehabilitation. Behav Anal. 2012;35(2):155-78.

Dromerick AW, Edwards DF, Hahn M. Does the application of constraint-induced movement therapy during acute rehabilitation reduce arm impairment after ischemic stroke? Stroke. 2000;16(3):290-5.

Wu CY, Lin KC, Chen HC, Chen IH, Hong WH. Effects of modified constraint-induced movement therapy on movement kinematics and daily function in patients with stroke: a kinematic study of motor control mechanisms. Neurorehabil Neural Repair. 2007;21(5):460-6.