A paralisia de Bell (PB) é o diagnóstico mais frequente relacionado à paralisia do nervo facial, bem como a mononeuropatia aguda mais frequente. Normalmente, a PB resulta na incapacidade parcial ou completa de mover automaticamente o lado afetado dos músculos faciais. Embora geralmente se resolva em semanas ou meses, a PB pode causar insuficiência oral temporária grave e uma incapacidade de fechar as pálpebras em alguns casos, resultando em lesão ocular potencialmente permanente. Em aproximadamente 25% dos pacientes com PB, a assimetria facial moderada a grave pode persistir, frequentemente prejudicando a qualidade de vida dos pacientes.

Só para aumentar o nível de conhecimento, a paralisia facial central (PFC) resulta de danos ao segmento central do nervo facial (núcleo facial na ponte, córtex motor ou conexões entre os dois) e se manifesta tipicamente como um comprometimento unilateral do movimento oposto ao lado do lesão, com predomínio na face inferior. Em contraste, a paralisia facial periférica (PFP), de Bell, resulta de lesão ou dano aos segmentos extratemporais do nervo facial, em geral de causa idiopática.

 

DEFINIÇÃO

A PB é caracterizada por paralisia aguda, unilateral, parcial ou completa da face. Ocorre em um padrão de neurônio motor inferior por acometer o nervo facial. A fraqueza pode ser parcial ou total e pode estar associada a dor leve, dormência, aumento da sensibilidade ao som e alteração do paladar.

 

NERVO FACIAL

O nervo facial (NC VII) desempenha um papel crítico em múltiplas funções complexas da vida humana, incluindo mastigação, fala e comunicação social bem-sucedida por meio da expressão de humor e emoção.

É um nervo motor único, emergindo do núcleo do nervo facial na ponte. A partir deste ponto, é acompanhado pelo NC VIII ao longo de sua via cisternal até o conduto auditivo interno. Especificamente, sua rota petrosa inclui um segmento labiríntico, um segmento timpânico horizontal e um segmento vertical da mastoide, que se estende até atingir o forame estilomastoideo e a glândula parótida.

 

SINAIS E SINTOMAS

A PB é uma fraqueza idiopática, unilateral e aguda da face em um padrão consistente com disfunção do nervo facial periférico e pode ser parcial ou completa, ocorrendo com igual frequência em ambos os lados da face. É idiopática, mas há evidências fracas de que a PB é causada pelo vírus herpes simplex. Os sintomas adicionais da PB podem incluir dor leve na orelha ou atrás da orelha, dormência orofaríngea ou facial, tolerância prejudicada aos níveis normais de ruído e paladar alterado na parte anterior da língua. A dor intensa é mais sugestiva de infecção pelo vírus herpes zoster e síndrome de Ramsay Hunt. A PB é um diagnóstico de exclusão. Outras causas de fraqueza do neurônio motor inferior incluem infecção do ouvido médio, malignidade da parótida, otite externa maligna, e tumores da base lateral do crânio. Características como redução do movimento na parte superior da face (padrão central) ou fraqueza de um ramo específico do nervo facial (padrão segmentar) sugerem uma causa alternativa. A PB é a causa menos comum de paralisia facial em crianças menores de 10 anos (<50%).

 

CAUSA

PB é, por definição, de natureza idiopática. Evidências crescentes na literatura demonstram múltiplas condições clínicas potenciais e patologias conhecidas por se manifestarem, pelo menos em parte, com um período de paralisia facial unilateral.

Pensa-se que o vírus do herpes reativado no gânglio geniculado do nervo facial pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da PB. O vírus Herpes simplex (HSV) -1 foi detectado em até 50% dos casos por alguns pesquisadores. No entanto, um estudo demonstrou a replicação do HSV, vírus do herpes zoster [HZV], ou ambos, em <20% dos casos. A paralisia facial associada ao herpes zóster se apresenta mais frequentemente como zóster seno herpete (sem vesículas), embora 6% das pessoas desenvolvam vesículas. A infecção do nervo facial por HZV resulta inicialmente em neuropraxia reversível, mas pode ocorrer degeneração walleriana irreversível. Os planos de tratamento para o controle da PB devem reconhecer a possibilidade de infecção pelo HZV.

O nervo facial possui um epineuro resistente com abundante suprimento vascular. No entanto, os vasoespasmos resultam em diminuição do suprimento sanguíneo e inflamação aguda, levando à neuropatia isquêmica primária, que é rara. O processo de isquemia primária pode resultar em isquemia secundária e envolve a constrição inicial das arteríolas, seguida de dilatação capilar, que por sua vez resulta em aumento da permeabilidade e consequente exsudação. Os capilares linfáticos são então comprimidos pelo transudato, com alguns até fechando. A progressão da isquemia secundária leva ou progride para isquemia terciária, é o resultado da progressão do vasoespasmo, que pode causar perivasculite e endarterite. Estes, por sua vez, levam a vários graus de fibrose da bainha do nervo facial, espessamento da bainha do nervo facial e, às vezes, à formação de tecido fibroso, resultando no estrangulamento do nervo facial.

Tem também a exposição aguda ao frio, conhecida como choque térmico. Há uma correlação clara entre a estação fria e o número de casos observados.

 

PROGNÓSTICO

No geral, a PB tem um prognóstico razoável sem tratamento. A melhora clinicamente importante ocorre dentro de 3 semanas em 85% das pessoas e dentro de 3 a 5 meses nos 15% restantes. Pessoas que não mostram sinais de melhora em 3 semanas podem ter sofrido degeneração grave do nervo facial ou podem ter um diagnóstico alternativo que requer a identificação por meio de exames especializados ou investigações, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. No geral, 71% das pessoas experimentarão uma recuperação completa da função muscular facial (ou seja, 61% das pessoas com paralisia completa, 94% das pessoas com paralisia parcial).Os 29% restantes apresentam fraqueza muscular facial residual leve a grave, 17% com contratura e 16% com espasmo hemifacial ou sincinesia. A recuperação incompleta da expressão facial tem um impacto de longo prazo na qualidade de vida e na autoestima. O prognóstico para crianças com PB geralmente é melhor, com uma alta taxa (> 90%) de recuperação espontânea, em parte devido à maior frequência de paresia. No entanto, crianças com paralisia apresentam fraqueza muscular facial permanente com a mesma frequência que os adultos.

 

FISIOTERAPIA E FONOAUDIOLOGIA

O retreinamento neuromuscular, é uma intervenção útil para o tratamento da paralisia do nervo facial. A PB melhora completamente sem tratamento na maioria das pessoas, mas não em todas. As terapias físicas, como exercícios, biofeedback, tratamento a laser, eletroterapia, massagem e termoterapia, são utilizadas para acelerar a recuperação, melhorar a função facial e minimizar sequelas.

Exercícios faciais personalizados podem ajudar a melhorar a função facial, principalmente para pessoas com paralisia moderada e casos crônicos, e exercícios faciais precoces podem reduzir o tempo de recuperação e paralisia de longo prazo em casos agudos.

 

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