SÍNDROME DE DOWN E TREINO LOCOMOTOR

SÍNDROME DE DOWN E TREINO LOCOMOTOR

A Síndrome de Down é uma das poucas deficiências que traz consigo a certeza de atrasos em todos os domínios do desenvolvimento. Em média, bebês com SD aprendem a andar cerca de 1 ano mais tarde do que bebês sem deficiência.

O fracasso em conseguir andar, ou o alcance tardio de andar, tem consequências para o sistema musculoesquelético. A anatomia do quadril, por exemplo, precisa de sustentação de peso para o crescimento ósseo adequado e orientação correta da cabeça femoral (parte superior do osso da coxa), bem como para um alinhamento correto da coluna

Além disso, caminhar é uma habilidade particularmente saliente para crianças pequenas porque seu impacto é multidimensional, afetando o desenvolvimento cognitivo, social e também motor subsequente. Quando os bebês com SD começam a caminhar, suas oportunidades de interagir e brincar com seus companheiros de idade aumentam significativamente.

A experiência locomotora representa uma transição de vida crítica para crianças pequenas e promove o avanço da percepção, cognição espacial e habilidades sociais e motoras. Em bebês com desenvolvimento típico, a experiência com locomoção contribui para o surgimento de uma ampla gama de habilidades psicológicas, como cautela com as alturas, reconhecendo que objetos escondidos da vista ainda podem existir, passando de egocêntricos para marcos estratégias de codificação espacial, percepção de distância e aquisição de aspectos de referência social.

TERAPIAS DE TRATAMENTO

A eficácia das intervenções terapêuticas aplicadas a crianças com SD tem sido um tema de debate. Para melhor influenciar a plasticidade neural (mudanças na estrutura e função do sistema nervoso), é importante que qualquer treinamento seja realizado no início do desenvolvimento e que seja específico para a tarefa que a criança precisa dominar.

Para ser bem-sucedida a intervenção deve ter como alvo uma habilidade específica, como por exemplo a marcha. Intervenções locomotoras em esteira, com ou sem suporte parcial de peso, têm sido usadas para promover a aquisição da marcha independente em crianças com Síndrome de Down.

A intervenção na esteira aumenta significativamente a prática de um padrão de movimento específico – passada – que leva ao comportamento funcional da caminhada. Além de oferecer oportunidades repetidas para melhorar o equilíbrio, aumentar a força nas extremidades inferiores e estimular as conexões neuronais que estão envolvidas na geração do andar independente. Em termos de desenvolvimento, força e equilíbrio suficientes são dois requisitos essenciais para o início da caminhada independente.

Os protocolos de intervenções em esteira rolantes descritos na literatura variam em relação às velocidades de treinamento, suporte fornecido, assistência manual com passos e frequência e duração da intervenção. O percentual de suporte de peso também varia, além de variar a forma como ele é feito. Porém, esses parâmetros dependem muito de uma avaliação individual e do recurso disponível.

Concluindo, a intervenção em esteira pode acelerar o desenvolvimento da caminhada independente em crianças com síndrome de Down. Mas lembrando que a capacidade de reorganização do sistema nervoso é um dos mecanismos fundamentais pelos quais as intervenções terapêuticas podem ser eficazes e para isso o treino tem que ser específico, ter repetição e intensidade.

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Referências:

Valentín-Gudiol M, Mattern-Baxter K, Girabent-Farrés M, Bagur-Calafat C, Hadders-Algra M, Angulo-Barroso RM. Treadmill interventions in children under six years of age at risk of neuromotor delay. Cochrane Database Syst Rev. 2017;7(7):CD009242. Published 2017 Jul 29. doi:10.1002/14651858.CD009242.pub3

Ulrich DA, Ulrich BD, Angulo-Kinzler RM, Yun J. Treadmill training of infants with Down syndrome: evidence-based developmental outcomes. Pediatrics. 2001 Nov;108(5):E84. doi: 10.1542/peds.108.5.e84. PMID: 11694668.