É possível sim a volta da fala-voz e a deglutição após o uso da traqueostomia. O fonoaudiólogo é o profissional responsável nesse processo de reabilitação, pois é ele quem trata as alterações de deglutição e fala, reabilitando-as e garantindo que o processo de decanulação e retorno da voz-fala e deglutição sejam eficientes, ou ainda, em casos de traqueostomia definitiva a criação de métodos de voz e deglutição adaptada.

ENTENDA O PROCEDIMENTO

A traqueostomia (TQT) é um procedimento cirúrgico, frequentemente realizado em situações de emergência para promover desobstrução das vias aéreas e nas intubações prolongadas (>14 dias em adultos) ou ainda, em casos com prognóstico reservado, porém sua repercussão é imediata, desencadeando modificações na integração das funções respiratórias e de deglutição1,3. Com o uso da traqueostomia o paciente para de respirar pelo nariz e boca e passa a respirar pelo orifício da TQT. Estudos recentes mostram que a TQT prolongada pode comprometer as funções motoras e sensoriais dos mecanismos de deglutição, resultando em disfagia, e favorecer o aparecimento de complicações tardias, incluindo estenose traqueal, sangramento, fístulas, infecções, hemorragias e broncoaspiração- pneumonias.

Vale ressaltar que em alguns casos a traqueostomia é definitiva, como nos tratamentos cirúrgicos de câncer de larínge (laringectomia total) onde o paciente perde toda a estrutura que conecta as vias aéreas inferiores com as superiores, o orifício da TQT será o meio definitivo de respiração, não havendo ainda outra forma de substituição. 

A traqueostomia irá alterar a anatomia e a fisiologia do sistema respiratório, influenciando nos mecanismos de proteção das vias aéreas, da produção vocal, e também do sistema digestivo, repercutindo na dinâmica da deglutição. Inicialmente, por dificultar o movimento de elevação e anteriorização da laringe durante o ato de deglutir e, também, por uma combinação de fatores que promovem a perda do mecanismo do reflexo glótico, tais como a dessensibilização laringo-faríngea, a ausência da pressão subglótica, o menor tempo de fechamento das pregas vocais e a compressão do esôfago.

Quanto aos aspectos respiratórios, é necessário ressaltar os fatores que potencializam a disfunção da deglutição e as alterações na produção vocal, como o uso de intubação orotraqueal e de ventilação mecânica prolongada, assim como parâmetros relacionados com o tipo de cânula e o uso do cuff (balão interno da traqueostomia). Nos casos de pacientes em uso de cuff insuflado, deve-se considerar o trabalho interdisciplinar, promovendo discussões em equipe para avaliar os riscos e benefícios de desinsuflar o mesmo, para reintegração das funções de deglutição e respiratória. Já com a manutenção do cuff desinsuflado, verificar a possibilidade de adaptação de válvula fonatória, para a facilitação das funções de deglutição, respiração e fonação mais próximas à fisiologia. E dessa forma evoluir no processo de decanulação e reabilitação da deglutição2. Existem protocolos a serem seguidos nesse processo de decanulação, e deve-se respeitar cada fase desse processo, como por exemplo verificar se o paciente é capaz de tolerar o balonete desinsuflado e também a oclusão total por mais de 24 horas contínuas sem alterar a saturação, se não há nenhuma obstrução/alteração mecânica que prejudique a decanulação (malácias e estenose) entre outros critérios.

Válvula de fala que é conectada à cânula da traqueostomia

 

 

Quer saber mais? Conhece alguém que usa traqueostomia?

Clique aqui para conversar com a gente pelo WhatsApp e se quiser, já agende uma avaliação com os Fonoaudiólogos da Prosense e obtenha os recursos de excelencia para sua reabilitação.